Pedra Furada

Jalapão – Tocantins: a vida passa como um avião

por

O Jalapão pra mim são três cores: azul, verde e laranja. Azul do céu e da água, verde da vegetação e laranja da terra das estradas. Essa microrregião do estado do Tocantins é um dos destinos mais deslumbrantes do turismo de aventura no Brasil. A região do Jalapão é maior do que o Parque Estadual de mesmo nome (que é uma unidade de conservação), compreende 8 municípios do leste do Tocantins e faz fronteira com Bahia, Piauí e Maranhão.

Cachoeira das Araras
Cachoeira das Araras

Eu mesma não sabia muito sobre o Jalapão antes de ir, não fazia ideia da imensidão e da beleza que ele envolve. Entrei numa viagem de amigas que já estava encaminhada, elas já tinham reservado tudo, inclusive escolhido a agência, baseadas no melhor custo benefício. Fomos com a Jalapão Expedições e foi uma experiência incrível! Gostei muito de toda a atenção e o cuidado da agência conosco e, principalmente, com o próprio Jalapão, que precisa de cuidados também para não ser destruído pela ação da humanidade. É importante contratar uma agência que tenha essa preocupação ambiental e apoie as comunidades locais.

PUBLICIDADE:
Na estrada com a Serra do Espírito Santo ao fundo
Na estrada com a Serra do Espírito Santo ao fundo

Pegamos o pacote Jalapão Intenso da Jalapão Expedições, que são 5 dias e foi R$2.150 para cada pessoa, incluindo hospedagem, todas as refeições, veículo 4×4, combustível, guia ambiental local e taxas de entradas nos atrativos turísticos. À princípio o valor pode parecer salgado, mas depois de ter vivido a experiência, eu recomendo: vale muito a pena! Desde a saída de Palmas (eles foram nos buscar no hostel em que estávamos), não tivemos que nos preocupar com absolutamente NADA! Só curtir tudo o que o Jalapão tem para nos oferecer. Até uma GoPro a empresa deixa com o guia para registrar os melhores momentos e depois passar tudo pra gente.

Lagoa do Japonês
Lagoa do Japonês

Como o Jalapão é uma área muito extensa, uma grande parte da viagem é passada na estrada. O acesso e as estradas no Jalapão não são fáceis; quase não existe sinalização para as atrações, as estradas são todas de terra e é muito fácil atolar o carro pra quem não conhece e não tem experiência. Pra circular por lá, só com veículos 4×4 e, de preferência com alguém que conheça o local. Percorremos mais de 1200km nesses 5 dias, entre uma atração e outra, e dormimos em 3 municípios diferentes: Ponte Alta, Mateiros e São Félix. Não é uma região super desenvolvida e as cidades são bem pequenas, daquelas onde todo mundo se conhece. É bom levar algum dinheiro em espécie; em alguns lugares não existe sinal de telefone e a wi-fi pode não funcionar muito bem.

Pôr do sol na Pedra Furada
Pôr do sol na Pedra Furada

Os restaurantes lá são de famílias que moram nas comunidades, alguns são mais simples que outros, sempre com comida regional caseira muito gostosa e as pessoas são bem receptivas. O mais incrível é que você está almoçando e o guia diz: “vamos, pessoal?”, uma caminhada de 5min saindo do restaurante dá de cara com uma cachoeira linda, ou um rio de água fria vitalizante! E olha que essas nem são as atrações principais – geralmente são como uma “recepção” em que você aguarda o grupo que está na atração principal sair para você entrar (há um limite de pessoas por vez). Nunca vi espera tão proveitosa!

Uma das salas de 'recepção' na espera pela atração principal
Uma das salas de ‘recepção’ na espera pela atração principal

As grandes cachoeiras que fomos são especiais e cada uma tem um atrativo diferente, não dá pra enjoar. A Cachoeira do Formiga é de um azul impressionante; a Cachoeira das Araras é imponente; já a Cachoeira do Lajeado não é muito explorada pelo seu difícil acesso e vale super a pena mergulhar nesse paraíso intocável.

Cachoeira do Lajeado.
Cachoeira do Lajeado.
Fervedouro Buriti
Fervedouro Buriti

Mas uma das atrações mais famosas do Jalapão são os fervedouros, que são nascentes de rios subterrâneos! É incrível; à princípio parecem lagoas mas quando você entra percebe que a areia do fundo não é firme, ela se move, borbulha (daí o nome, fervedouro), a água realmente vem de dentro da terra, e o melhor: você não consegue afundar – a água te empurra pra cima! Existem vários fervedouros, eles variam em cor, tamanho e também na intensidade da pressão da água. Nós fomos em 5 deles!

Fervedouro Buritizinho, o menorzinho mas com a água mais azul
Fervedouro Buritizinho, o menorzinho mas com a água mais azul

Teve também a Lagoa do Japonês, a Serra do Espírito Santo (uma trilha de 850m que acordamos às 3h30 da manhã pra fazer)… não daria pra falar de tudo o que vivemos! E não chegamos nem perto de conhecer metade de tudo o que existe no Jalapão. As agências fazem roteiros diferentes dentro da região, então é sempre bom conferir com uma pesquisa mais detalhada pra onde você quer ir. De qualquer forma, é uma viagem de aventura, mas com certo conforto. É realmente um paraíso de inúmeras possibilidades. Eu não trocaria essa viagem por Europa nenhuma!

Lagoa do Japonês
Lagoa do Japonês

Veja também

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.