Velho-Chico

Um mergulho nos Cânions do Velho Chico

Leonardo Vasconcelos por

Essa matéria vai ser dividida em duas partes: “Rota do Cangaço: trilha dos últimos passos de Lampião” e “A beleza dos cânions do Xingó vista de helicóptero”, que será postada nas sextas-ferias 1 e 8 de dezembro, consecutivamente.

“Na margem do São Francisco nasceu a beleza e a natureza ela conservou”. Tão bem que pode ser vista em vários pontos do Velho Chico e não só em Petrolina e Juazeiro, como a conhecida música eternizou. Avançando mais no curso do tão cantado rio se chega a uma outra beleza na divisa entre Sergipe e Alagoas que também “Jesus abençoou com sua mão divina”: os Cânions de Xingó, o quinto maior navegável do mundo.

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Cânions de Xingó, Foto: @viajareumprazer
Cânions de Xingó, Foto: @viajareumprazer

A porta de entrada para este verdadeiro paraíso escondido é a cidade de Canindé de São Francisco, a 213 km de Aracaju, no extremo noroeste de Sergipe. São três horas de viagem partindo da capital, mas que valem cada segundo quando se chega ao destino que mais parece uma miragem. Encravado na típica paisagem seca da caatinga, um oásis de águas verdes em meio a imponentes paredões de rochas.

Se banhar nas águas dos Cânions desta região do Velho Chico significa dar um mergulho ao mesmo tempo na história e ficção. As formações rochosas têm mais de 60 milhões de anos e testemunharam a profecia de que o “Sertão vai virar mar”. O vale foi alagado pelas águas do Rio São Francisco para a construção da Hidrelétrica do Xingó que deu origem a um dos maiores Cânions navegáveis do planeta. O local também faz parte da história por ter sido palco do Cangaço e ter abrigado o bando de Lampião. A ficção ajudou a divulgar ainda mais a área depois que ela foi utilizada para filmagem de parte das novelas Cordel Encantado e Velho Chico, da Rede Globo.

Os números, por si só, já dão uma ideia da grandiosidade do que os olhos tentam, em vão, mirar por completo. Os cânions de Xingó tem 65 quilômetros de extensão, 170 metros de profundidade e entre 50 e 300 metros de largura. Estima-se que cerca de 20 mil turistas visitam a região por mês. O Blog Mochileo, claro, não ia querer ficar de fora dessa estatística.

O passeio nos cânions começa no complexo do Restaurante Karrancas, localizado no dique da barragem da usina. É de lá de onde partem embarcações que cortam o Velho Chico. Uma opção é a lancha que tem capacidade para 10 pessoas e custa R$ 140 por pessoa. A outra é o Catamarã que leva até 250 pessoas e o valor do ingresso é R$ 100. A opção escolhida foi a segunda e não houve arrependimento.

A plataforma flutuante e o Catamarã, Foto: @viajareumprazer
A plataforma flutuante e o Catamarã, Foto: @viajareumprazer

Ao embarcar, antes de tudo, as instruções de segurança, entre elas como usar os coletes salva-vidas. São três horas de passeio. Uma de ida até a Gruta do Talhado, outra para aproveitar o local e a última, infelizmente, de retorno, porque a vontade é de permanecer no local. Quando a embarcação zarpa, o turista já vai entrando no clima da região. Em todos os sentidos. Primeiro com a trilha sonora composta quase que inteiramente por clássicos do forró. Depois, com o calor escaldante que é aliviado com os chuveirões instalados na parte da frente do Catamarã.

Canoas que levam até Gruta do Talhado
Canoas que levam até Gruta do Talhado

No trajeto de 18 quilômetros, a embarcação passa por formações rochosas curiosas como a Pedra do Gavião, do Japonês e Morro dos Macacos. No caminho também se vê a gruta onde fica exposta uma imagem de São Francisco. Do nada surge uma plataforma flutuante chamada de Porto de Brogodó, no Paraíso do Talhado. No local saem canoas por R$ 10 que levam até Gruta do Talhado. No curto passeio se pode chegar bem perto a ponto de tocar nos imensos paredões de trinta metros de altura em uma sensação única.

Piscina natural
Piscina natural

No retorno, hora de finalmente se banhar nas águas verdes cristalinas do Velho Chico. A plataforma conta com uma piscina natural protegida por redes de contenção no fundo e nas laterais. Após uma longa viagem, um merecido mergulho no mítico rio símbolo do Nordeste. Boiar nele é flutuar na história e se sentir parte dela. De fato, como diz a letra da música, uma benção de mão divina. E como lembra o conhecido ditado sertanejo que “quem se banha no São Francisco sempre volta”, também espero retornar.

Boiando na Piscina natural
Boiando na Piscina natural

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