Rota do Cangaço : trilha dos últimos passos de Lampião

Leonardo Vasconcelos por

*Essa matéria é uma continuação de outra duas matérias: “Um mergulho nos Cânions do Velho Chico” e “A beleza dos cânions do Xingó vista de helicóptero”, essa última será publicada na próxima sexta-feira (8/12).

Vizinha à Canindé de São Francisco fica a histórica e charmosa Piranhas, tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. A cidade por si só já é uma atração, mas é procurada também pelos turistas que querem fazer a chamada “Rota do Cangaço”. Trata-se da trilha que a volante militar fez para armar a emboscada para o bando de Lampião e Maria Bonita na Grota do Angico, onde houve o massacre que acabou com o mais famoso grupo de cangaceiros da história brasileira.

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Cais de Piranhas
Cais de Piranhas

A aventura começa no Cais de Piranhas, local de partida das Catamarãs (R$ 50) que vão seguir pelo Rio São Francisco até o município de Poço Redondo, em Sergipe. O percurso é curto, dura em média meia hora, e animado ao som do forró. Quando o arrasta-pé acaba é sinal de que se chegou ao Cangaço Eco Parque, na Fazenda Angicos, um espaço de ótima infra-estrutura com tendas, restaurante, área de slackline, escalada, passeio de cavalo. Tudo para ser desfrutado na volta porque ao desembarcar a opção foi de ir direto para a famosa trilha (R$ 10).

Devidamente trajada de cangaceira, a guia segue na frente nos contando a história do cangaço ao longo do percurso de 1,6 km. Caatinga adentro, o grupo vai aprendendo mais sobre os costumes do bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, um dos mais controversos personagens nordestinos. No caminho há algumas paradas para contar mais detalhes do que houve naquele 27 de julho de 1938, data que os 11 cangaceiros foram emboscados, mortos e decapitados. Impossível não lembrar da clássica foto das cabeças dos integrantes do bando que na época foram expostas na escadaria da prefeitura de Piranhas.

A Guia vestida de cangaceira, Foto: @viajareumprazer
A Guia vestida de cangaceira, Foto: @viajareumprazer

Refazendo os passos da polícia, o turista se sente no dia do massacre e quando menos se espera lá está a tão falada Grota do Angico. Cravadas nas pedras, cruzes e lápides com o nome de Lampião, Maria Bonita e os outros nove cangaceiros mortos. Bandidos ou heróis, o que importa é que eles fizeram história e esta foi encerrada bem naquele local sob os nossos pés.

Trilha, Foto: @viajareumprazer
Trilha, Foto: @viajareumprazer
Cruzes e lápides, Foto: @viajareumprazer
Cruzes e lápides, Foto: @viajareumprazer

Cumprido o objetivo de conhecer o local, hora de voltar. No retorno, sob um forte calor no meio da vegetação, não tem como não desejar chegar logo na paisagem encontrada no desembarque. Mais adiante ela aparece tal qual uma miragem. Ainda bem que não é. Lá está bem real o Velho Chico para um novo e novamente inesquecível banho.

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