Maratona de Chicago: correr e viajar nas férias

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Correr e viajar. Para quem, assim como eu, ama e pratica esportes, a melhor alternativa é conciliar uma prova-alvo com a viagem das férias. Foi assim que planejei minha terceira maratona e o sonho de conhecer New York, nos Estados Unidos. A prova escolhida foi a Chicago Marathon, umas das seis principais maratonas do mundo (a seleta lista de majors contempla também Boston, New York, Berlim e Tokyo). Para ser um dos 45 mil participantes dos 42km de Chicago, é necessário se inscrever em um sorteio. Outras alternativas para entrar na prova são inscrição por caridade (um preço bem salgado), pacote com agências credenciadas e apresentação de índice.
         A inscrição em uma prova major custa em média R$ 800,00, valor bem acima dos padrões brasileiros. Mas quer saber? A experiência vale cada real investido. E aí eu falo diretamente para os corredores. Participar de uma prova com selo ouro da Federação Internacional de Atletismo (Iaaf) e usufruir de uma estrutura impecável é algo incrível. Não à toa, existem sorteios para participar da experiência e, em vários casos, o atleta fica de fora porque a concorrência é forte. Essas loterias acontecem um ano antes de o evento acontecer. Portanto, meu sorteio foi realizado em outubro de 2017 e o resultado foi divulgado um mês depois. Em muitos casos, o tempo suficiente para o corredor se preparar para a viagem e para a própria maratona.
         No meu caso, foram 10 meses de treinamento e organização das finanças. Embarquei com um grupo de amigos para os Estados Unidos no dia 4 de outubro de 2018, a prova estava marcada para o domingo, dia 7. Fizemos uma conexão em New York, afinal, voltaríamos para lá após a maratona, e aportamos em Chicago na quinta-feira. De imediato, encontramos centenas de corredores nas ruas, no hotel, nas lojas. Em todos os lugares da cidade. Chicago respirava maratona. Deixamos nossas malas no hotel e fomos para a feira pegar o kit (número de peito, camisa e brindes dos patrocinadores). Lá, mergulhamos no clima da maratona de uma vez por todas.
         A expo era enorme, com as principais marcas esportivas apresentando as novidades e os produtos personalizados da Chicago Marathon. O estande da Nike (patrocinadora oficial do evento) era o maior de todos e as pessoas estavam enlouquecidas comprando os produtos: camisas, viseiras, jaquetas, shorts, etc. Sem exagero, aquele lugar não perdia em nada para o vuco vuco da av. Guararapes, no Recife. Os preços são bem salgados, mas as pessoas não se preocupam muito para o valor do real em relação ao dólar. Só para ter uma ideia, a expo de uma major é tipo a 5ª Avenida de Nova Iorque. Eu comprei sabores diferentes de Gu (gel carboidrato, que dificilmente encontramos no Brasil), camisa da prova, óculos escuros esportivos e produtos que servirão de lembrança desse momento único na minha vida: correr minha primeira major.
Gabi e Dani nos 5k da Advocate Health Care Internacional Chicago
         O sábado pré-prova é dia de descanso, colocar as pernas pra cima e se concentrar para a prova. Eu e Dani fizemos a inscrição nos 5k da Advocate Health Care Internacional Chicago, prova amistosa que faz parte da programação da maratona e tem clima de festa. Serve para tirar qualquer tensão antes dos 42km. Acordamos cedinho e Chicago ainda estava escura.  Lá fora fazia um frio inesperado e, para piorar, uma chuva  acompanhada de relâmpagos e trovões. A gente não sabia se encarava a aventura de correr na chuva ou ficava em casa para poupar o corpo. A ansiedade falou mais alto. A chuva também parou. Encontramos milhares de corredores nas ruas e ficamos felizes que tudo tinha dado certo. O resto do dia foi de repouso e cuidado com alimentação e hidratação.
         Domingo, 5h da manhã. Frio, tensão e o grande dia finalmente havia chegado. Troquei de roupa seguindo o ritual de todos os longões que antecederam a prova. A previsão era de chuva e compramos uma capa de plástico para segurar a água até a largada. Além disso, garantimos um cobertor para espantar o frio – casacos e moletons protegem os atletas e, logo após o sinal da largada, tudo é deixado nas ruas e doado para instituições carentes. Nas ruas, o silêncio conduzia milhares de corredores para o Millenium Park, local da largada. A prova foi impecável. Coisa de primeiro mundo mesmo. Pontualmente às 7h30, os atletas da elite lideraram os 45 mil corredores que realizavam o sonho de completar o Chicago Marathon. Para mim, particularmente, foi perfeito. O clima ajudou bastante, apesar de sentir frio e correr mais da metade da prova com o pé encharcado. Choveu durante uns 40 minutos e, nesse período, minha mão ficou dormente, inchada. Pensei que passaria mal, mas nada aconteceu. Ao longo do percurso, milhares de pessoas acompanhavam a festa com mensagens motivacionais. Crianças, idosos, cachorrinhos. Cartazes espalhados por todos os lados. Impossível o clima não tomar conta por completo e puxar os corredores nos momentos mais difíceis.
 No final, recebi minha medalha, peguei mais comidinhas e uma cerveja gelada. Demorei demais para encontrar meus amigos e senti um dos maiores frios da minha vida. Ah, Chicago é conhecida também por ser a cidade do vento. Eu estava cansada, com frio e molhada. Filas e mais filas para trocar de roupa e, enquanto esperava minha vez, eu entendi o significado daquele apelido. As rajadas de vento não brincavam naquela cidade. Apesar das batidas de queixo, todo mundo estava imensamente feliz e satisfeito. Eu, particularmente, estava completamente realizada.

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